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04 junho, 2012

Dúvidas da Língua Portuguesa - Prof. Sérgio Nogueira

CERTO ou ERRADO? Ou questão de ADEQUAÇÃO?
Leitor solicita que eu faça um rápido comentário a respeito de cada exemplo a seguir.

1.“…mais um acidente com vítima fatal.”
FATAL é “o que provoca a morte”. Portanto, não é a vítima que é fatal. FATAL é o acidente. “Vítima fatal” está consagrada pelo uso e, hoje, perfeitamente compreensível.

2. “Os vencimentos serão pagos numa parcela única.”
“Parcela única” é muito estranho. PARCELA é “pequena parte de qualquer coisa”. Rigorosamente, “pequenas parcelas” pode ser uma redundância e “parcela única” seria incoerente.

3. “Queremos reaver o prejuízo.”
Duvido que alguém queira o prejuízo de volta. Queremos é ser indenizados pelo prejuízo.
Não sejamos, entretanto, tão rigorosos com a língua portuguesa, a expressão “correr atrás do prejuízo”, embora incoerente, é perfeitamente compreensível.

4. “O secretário explicou ontem por que deixou o cargo.”
Se tinha deixado o cargo no dia anterior, não era mais secretário.
Portanto, “o ex-secretário explicou ontem por que deixou o cargo”.

5. “Se o atacante for regularizado pela Federação…”
Não é o atacante que deve ser regularizado. A situação do jogador é que deve ser regularizada pela Federação. Leitor tem razão em parte. Nossa língua não é tão lógica como muitos pensam. O subentendido faz parte da nossa linguagem. Não sejamos tão rigorosos.

6. “Ninguém se feriu no desabamento, com exceção do porteiro.”
Para que o porteiro não se sinta pior que “ninguém”, seria melhor ter escrito: “Somente o porteiro se feriu no desabamento”. Concordo com o leitor. Frase de muito mau gosto.

7. “O Pão de Açúcar é quase 20 vezes menor que o Aconcágua.”
É impossível ser “20 vezes menor”. É um problema matemático. O contrário de “3 vezes mais” é “um terço”. Na verdade, “o Aconcágua é 20 vezes maior que o Pão de Açúcar”.

8. “Ao contrário do que foi publicado ontem, Romário fez dezoito e não dezessete gols…”
Dezoito e dezessete não são coisas contrárias. Portanto, o mais adequado é dizer: “Diferentemente do que foi publicado ontem…”

9. “Um homem se afogou e foi tirado do mar desacordado.”
Ou se afogou ou estava desacordado. Se houve afogamento, o homem estava morto; se foi tirado do mar desacordado, o homem quase se afogou.

10. “O filho fez curso de técnico de som até se tornar um nome de referência na área.”
Isso é que é força de vontade. Não largou o curso enquanto não ficou famoso. Para ficar claro: o rapaz fez um curso de técnico de som e tornou-se famoso na sua área. Ficou famoso depois de fazer o curso, e não “fez o curso até ficar famoso”.

Fui eu QUEM FEZ ou Fui eu QUE FIZ?
Tanto faz.
O verbo pode concordar com o pronome QUEM (=quem fez) ou com o antecedente do pronome QUE (=eu que fiz).

Vamos observar o exemplo que um leitor nosso encontrou no livro Memorial do Convento do grande escritor português José Saramago: “…são eles quem está construindo a obra que lhe vou mostrar…”

Nesse caso, embora o antecedente esteja no plural, o autor faz o verbo concordar com o pronome QUEM: “…eles quem ESTÁ construindo…”

Corretíssimo.

Pode-se tornar OU pode se tornar?
Leitor nos escreve: “Na versão eletrônica do Estadão, lia-se a seguinte frase ‘Corinthians pode-se tornar campeão domingo’. Não sei se se trata de um erro de impressão ou, pior ainda, de gramática, mas parece-me que a frase é incorreta.”

A frase pode perecer estranha, mas não está errada. Trata-se de uma ênclise do verbo auxiliar (=pode-se tornar). Essa colocação do pronome átono após o verbo auxiliar é raríssima no português do Brasil. A maioria dos brasileiros diria “Corinthians pode se tornar…” (sem hífen = próclise do verbo principal).

Eu prefiro a ênclise do infinitivo: “Corinthians pode tornar-se campeão no domingo”.

30 maio, 2012

Falsos sinônimos

Conforme o prometido, voltamos hoje ao problema dos falsos sinônimos. São mais alguns casos para você tirar suas dúvidas.
Qual é a diferença entre…

1. REFUTAR  e  REJEITAR?
REFUTAR = contestar; REJEITAR = negar, não aceitar.
“Os diretores REFUTARAM os nossos argumentos.”
“A nossa proposta foi REJEITADA.”

2. IMPLANTAR  e  IMPLEMANTAR?
IMPLANTAR = dar início; IMPLEMENTAR = desenvolver, pôr em prática.
“É um sistema novo que ainda não foi IMPLANTADO na nossa empresa.”
“Os procedimentos já estão escritos e aprovados. Falta só a IMPLEMENTAÇÃO.”
Alguns dicionários não fazem mais essa distinção. Consideram IMPLANTAR e IMPLEMENTAR palavras sinônimas.

3. CONFISCAR  e  DESAPROPRIAR?
CONFISCAR = sem indenização; DESAPROPRIAR = com indenização.
“O coroa portuguesa CONFISCOU os bens de Tiradentes.”
“Para a construção do metrô, vários imóveis foram DESAPROPRIADOS.”

4. ROUBAR  e  FURTAR?
ROUBAR = com violência; FURTAR = sem violência, ameaça, constrangimento…
“Parou num sinal vermelho e teve seu carro ROUBADO.”
“O cleptomaníaco é aquele que tem a mania de FURTAR.”

5. DESCRIMINAR  e  LEGALIZAR?
DESCRIMINAR = inocentar de um crime, descriminalizar; LEGALIZAR = tornar legal.
“O projeto queria DESCRIMINAR o uso de maconha.”
“O objetivo é LEGALIZAR o jogo do bicho.”

6. COM RESERVAS  e  RESERVADAMENTE?
COM RESERVAS = com cuidado, com restrições; RESERVADAMENTE = sigilosamente, confidencialmente.
“Tratou do assunto COM RESERVAS.” (=não abriu o jogo, não disse tudo que sabia);
“Tratou do assunto RESERVADAMENTE” (=a sós, confidencialmente).

7. EM PRINCÍPIO  e  A PRINCÍPIO?
EM PRICÍPIO = em tese, em teoria; A PRINCÍPIO = no começo, inicialmente.
“EM PRINCÍPIO, ele é contra o aborto.” (=por princípios, talvez religiosos);
“A PRINCÍPIO sou contra as suas ideias.” (=num primeiro momento).
As edições mais recentes dos nossos principais dicionários já consideram EM PRINCÍPIO sinônimo de A PRINCÍPIO no sentido de “inicialmente, num primeiro momento”.

8. AO INVÉS DE  e  EM VEZ DE?
AO INVÉS DE = ao contrário de; EM VEZ DE = em lugar de.
“Entrou à direita AO INVÉS DE entrar à esquerda.” (direita e esquerda se opõem);
“Foi à praia EM VEZ DE ir ao jogo.” (ir à praia e ir ao jogo não são coisas opostas).

9. DE ENCONTRO A  e  AO ENCONTRO DE?
DE ENCONTRO A = contra; AO ENCONTRO DE = a favor.
“O carro foi DE ENCONTRO AO poste.” (=o carro se chocou contra o poste)
“Ficamos felizes, pois o projeto vem AO ENCONTRO DAS nossas necessidades.”

10. TODO  e  TODO O?
TODO = qualquer; TODO O = inteiro.
“Ele é capaz de fazer TODO trabalho.” (=qualquer trabalho, todos os trabalhos);
“Ele é capaz de fazer TODO O trabalho.” (=aquele trabalho inteiro).

UMA DICA
Quando o substantivo é qualificado por mais de um adjetivo, tratando-se de seres diferentes, o substantivo fica no PLURAL (ou no singular, se repetir o artigo):
“Completou OS CURSOS básico e intermediário.”
“Completou o CURSO básico e o intermediário.”
“Precisam aprender AS LÍNGUAS inglesa, espanhola e alemã.”
“Precisam aprender a LÍNGUA inglesa, a espanhola e a alemã.”

UMA DÚVIDA
Leitor quer saber qual é a concordância correta: “primeiro e segundo grau” ou “primeiro e segundo graus”?
O correto é “primeiro e segundo graus”.
Também estaria correto “o primeiro e o segundo grau”.
O mesmo ocorre em “sétima e oitava séries” ou “na sétima e na oitava série”.

Professor Sérgio Nogueira 

24 fevereiro, 2009

Dúvidas da nossa língua...

1ª) Ambigüidade?

Leitor quer saber se há ambigüidade na frase “São Paulo empata na Libertadores. Vasco e Grêmio, na Copa do Brasil”.

Leitor tem razão. A frase tem duplo sentido:

1º.) O São Paulo empatou o seu jogo pela Libertadores da América e o Vasco empatou com o Grêmio no seu jogo pela Copa do Brasil (Vasco e Grêmio se enfrentaram pela Copa do Brasil); OU

2º.) O São Paulo empatou o seu jogo pela Libertadores da América e o Vasco e o Grêmio empataram seus jogos pela Copa do Brasil (Vasco empatou com o Fortaleza e Grêmio empatou com o Vitória, por exemplo).


2ª) Pontuação?

Leitor quer saber se está correto o uso de dois-pontos na peça publicitária: “Luís: saia de férias.”

Concordo com o leitor.

Como se trata de um chamamento, “Luís” é vocativo, por isso devemos usar a vírgula: “Luís, saia de férias”.

O uso de dois-pontos seria recomendável se o “Luís” fosse o falante, ou seja, teríamos a transcrição da sua fala. Se o Luís estivesse respondendo a uma pergunta, por exemplo. Vamos imaginar que o chefe perguntasse ao Luís: “Que devo fazer?” E o Luís respondesse: “Saia de férias”.

Observe melhor:

Chefe: “Que devo fazer?”
Luís: “Saia de férias.”


3ª) Crase?

Leitor quer saber se o uso acento da crase está correto na frase “Comida à quilo boa a pampa”.

Concordo com o leitor. São dois erros.

1º) Em comida “a quilo”, não há crase. É impossível haver artigo definido feminino antes de “quilo” (quilograma), pois é uma palavra masculina. “A quilo” é equivalente a “por quilo” (sem artigo), logo sem crase.

2º) Em boa “à pampa”, faltou o acento indicativo da crase. “À pampa” é uma locução feminina. Todos os adjuntos adverbiais femininos (de lugar, de tempo, de modo, de intensidade…) recebem obrigatoriamente o acento indicativo da crase: “sentou-se à mesa”; “bateu à porta”; “saiu à noite”; “erra às vezes”; “vendeu à vista”; “saiu às pressas”; “comeu à beça”; “falou às pampas”.

Assim sendo, o correto é: “Comida a quilo boa à pampa”.


4ª) A nível de?

Nosso leitor tem razão. Há muita gente abusando do “a nível de” em suas entrevistas.

Como já explicamos várias vezes nesta coluna, o uso da expressão “a nível de” é, talvez, o maior modismo lingüístico criado no português do Brasil. É totalmente inútil.

Em meus cursos de redação, costumo dar o seguinte ensinamento: “Toda vez que você sentir vontade de usar o a nível de, pare e deixe a vontade passar. Você pode ter a certeza de que a expressão é desnecessária”.

O maior problema é o uso de “a nível de” em situações em que não há níveis: “O problema só pode ser resolvido a nível de reunião” (reunião não é nível). Bastaria dizer: “O problema só pode ser resolvido na reunião”.

Não faz muito tempo, um craque da bola soltou uma pérola lingüística: “A nível de estar todo mundo vendo, meu melhor jogo foi contra o Uruguai”.

É importante lembrar que, se houver níveis, podemos usar a expressão “em nível de”: “Esse tipo de problema só pode ser resolvido em nível federal”.


5ª) Para mim OU para eu?

Leitor quer saber se a frase “É impossível para mim chegar às 8h” está errada.

Sinto decepcionar o nosso leitor, mas o uso do “para mim” está correto. O problema é a falta das vírgulas. Em ordem direta, teríamos: “Chegar às 8h é impossível para mim”. Em ordem inversa, teríamos: “Para mim, é impossível chegar às 8h” ou “É impossível, para mim, chegar às 8h”.

É diferente de “O chefe disse para eu chegar às 8h”.


6ª) Lhe OU para ele?

Leitor quer saber qual das duas formas é a correta: “Transmita-lhe um abraço” ou “Transmita um abraço para ele”.

As duas formas estão corretas: “Transmita-lhe” ou “transmita para ele”. Poderia ser também “Transmita a ele”.


7ª) Entrega a domicílio OU em domicílio?

A expressão “entrega a domicílio” foi consagrada pelo uso.
Não está errada, mas a “entrega em domicílio” é mais coerente, pois toda entrega é feita EM algum lugar: “entrega em casa ou no escritório ou no quarto”.

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

16 janeiro, 2009

Dúvidas de leitores - Professor Sérgio Nogueira responde.

1ª) Risco de vida OU risco de morte?

Tanto faz. Não há uma forma certa e outra errada.
Se o risco é de morrer, podemos dizer “risco de morte”, mas é indiscutível que a maioria dos brasileiros fala RISCO DE VIDA. Temos aqui uma elipse: risco de (perder a) vida. Isso é corretíssimo e aceitável na língua padrão.

Isso tudo significa que podemos escolher. As duas formas são corretas. Eu prefiro RISCO DE VIDA por ser a forma mais usual.

É importante lembrar que não há uma forma melhor ou pior, mais certa ou menos errada. No meio jornalístico, há o hábito de criar padrões, mas, como o nome bem diz, são apenas padrões, ou seja, preferências do repórter ou do editor.


2ª) Rendição OU rendisão?

Leitor quer saber por que RENDIÇÃO se escreve com “ç”, se é derivado do verbo RENDER, que termina em “-ender”.

Escrevemos com “s” os substantivos terminados em “-ensão” derivados de verbos terminados em “-ender”: tender – tensão; pretender – pretensão; compreender – compreensão; ascender – ascensão.

Embora derive de um verbo terminado em “-ender” (render), o substantivo RENDIÇÃO não se escreve com “s”, porque não termina em “-ensão”.


3ª) Atenção OU atensão?

Leitor quer saber por que ATENÇÃO se escreve com “ç”, se é derivado do verbo ATENDER, que termina em “-ender”.

O substantivo ATENÇÃO não deriva do verbo ATENDER. ATENÇÃO é o ato de ATER-SE, e não de “atender”. O ato de atender é atendimento.

Os verbos derivados de TER formam substantivos terminados em “-enção”, com “ç”: deter – detenção; reter – retenção; conter – contenção, obter – obtenção; manter – manutenção; ater-se – atenção.


4ª) Mini-hospital OU minihospital OU miniospital?

Não há registro em nossos dicionários de nenhuma das três formas.
Se um dia inventarem um hospital tão pequeno que queiram chamá-lo de “mini”, tenho a certeza de que a tendência da maioria será escrever com hífen: mini-hospital.

Segundo o acordo ortográfico de 1943, o elemento MINI não prevê o uso do hífen. Devemos escrever “tudo junto”: minidicionário, minissaia, minissérie, minirreforma…

Assim sendo, a grafia oficial seria “miniospital”, mas, segundo a nova reforma ortográfica, nas formações com prefixos (anti, contra, hiper, sub…) e em formações com falsos prefixos (auto, eletro, macro, mini, neo, pan, semi, tele…), devemos usar hífen se o segundo elemento começa por “h” ou por vogal igual à vogal final do prefixo: anti-herói, pré-história, sub-humano, super-homem, pan-helênico, infra-hepático, semi-hospital, MINI-HOSPITAL, anti-inflacionário, contra-ataque, micro-ondas.


5ª) O que OU o quê o telespectador gostaria de ver?

A grafia correta é sem acento gráfico: “O que o telespectador gostaria de ver?”
Em “Não sei o que o telespectador gostaria de ver”, o “o” equivale a “aquilo” e é um pronome demonstrativo. E o “que” é um pronome relativo.

Em “Que o telespectador gostaria de ver?”, o “que” é um pronome interrogativo.
A palavra QUE recebe acento circunflexo em dois casos:

1º) quando é substantivado: “Ela tem um quê especial”;
2º) no fim de frase (antes de pausa): “Ela respondeu não sei o quê.”; “Não tem de quê.”; “Fez isso não sei para quê!”; “Ainda não chegou por quê?”.


6ª) Três mil e duzentos OU três mil, duzentos?

Devemos escrever os numerais por extenso como se fala:

1º) “Compareceram à recepção três mil e duzentos convidados”;
2º) “Escreveu corretamente no cheque: três mil, duzentos e quarenta e sete reais e vinte e dois centavos”.


7ª) Cem milhões de dólares norte-americano OU norte-americanos?

NORTE-AMERICANO é adjetivo, por isso deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere.

Se as TROPAS são NORTE-AMERICANAS, os dólares são NORTE-AMERICANOS.

fonte:
Blog do Professor Sérgio Nogueira

17 dezembro, 2008

Curiosidades Verbais

1ª) Verbo RIR

Leitor quer saber se a primeira pessoa do singular do presente do indicativo é eu RIO.
É isso mesmo: eu RIO, tu ris, ele ri, nós rimos, vós rides, eles riem.
O verbo SORRIR, que é derivado de RIR, fica eu SORRIO.


2ª) Verbo CRER

Leitor quer saber qual é a terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo.
Pode parecer mentira, mas é ele CREU.
A conjugação completa do pretérito perfeito do indicativo é: eu cri, tu creste, ele CREU, nós cremos, vós crestes, eles creram.


3ª) Reaveu OU reaviu?

É a famosa dúvida do nada com coisa alguma. Nenhuma das duas. O certo é REOUVE.
REAVER é derivado do verbo HAVER. Deve seguir a sua conjugação.
O pretérito perfeito do indicativo do verbo HAVER é: eu houve, tu houveste, ele houve, nós houvemos, vós houvestes, eles houveram.
Assim sendo, o verbo REAVER fica: eu reouve, tu reouveste, ele REOUVE, nós reouvemos, vós reouvestes, eles reouveram.


4ª) Pego OU pegado?

Em Portugal, somente a forma PEGADO é usada.
No Brasil, as duas formas convivem. A forma PEGADO só pode ser usada quando antecedida dos verbos TER ou HAVER: “Ele tinha (ou havia) PEGADO os documentos”.
A forma irregular PEGO está consagrada entre nós e já é aceitável na língua padrão. Pode ser usada com qualquer verbo auxiliar (ser, estar, ter ou haver):
“Ele foi PEGO em flagrante”.
“Ele tinha PEGO (ou PEGADO) os documentos”.
Isso significa, portanto, que, com os verbos SER e ESTAR, só podemos usar a forma irregular (PEGO); e, com os verbos TER e HAVER, podemos usar tanto a forma regular (PEGADO) quanto a irregular (PEGO).


5ª) Tinha chego OU tinha chegado?

O verbo CHEGAR é regular. O particípio é CHEGADO.
Isso significa que o correto é dizer que “ele tinha CHEGADO atrasado”.


6ª) Mano confiante que Felipe joga OU jogue o clássico?

Se o técnico está confiante, devemos usar o modo indicativo: “Mano está confiante que Felipe JOGA o clássico”.
Melhor seria: “Mano está confiante DE que Felipe JOGARÁ o clássico”.
Devemos usar o modo subjuntivo quando há dúvida, quando temos uma suposição ou uma expectativa: “Mano acredita que Felipe jogue (possa jogar) o clássico”; “Mano espera que Felipe jogue o clássico”.


7ª) Analista acredita que a renúncia de Fidel Castro abre OU abra novos caminhos para Cuba?

Depende.
Se usarmos o modo indicativo, posso entender que o analista acredita no sentido de “tem certeza, está convicto”: “Analista acredita (= afirma) que a renúncia de Fidel Castro abre (abrirá) novos caminhos para Cuba”.

Se usarmos o modo subjuntivo, passo a entender que o analista não tem certeza, ele acredita no sentido de “supõe ou espera”: “Analista acredita (= supõe) que a renúncia de Fidel Castro abra (possa abrir) novos caminhos para Cuba”.


8ª) “O juiz ainda não havia intervindo no caso”?

Nosso leitor não tem razão. A frase não está errada. O particípio do verbo INTERVIR é INTERVINDO.

INTERVIR é derivado do verbo VIR. O particípio do verbo VIR é VINDO. É igual ao gerúndio: “Ele ainda não tinha vindo (particípio) a minha casa”; “Eu não sabia que ele já estava vindo (gerúndio) para cá”.

Como o verbo INTERVIR é derivado de VIR, acontece o mesmo. A forma INTERVINDO pode ser do gerúndio ou do particípio: “O juiz já estava intervindo no caso” (gerúndio); “O juiz ainda não havia INTERVINDO no caso” (particípio).

fonte:
Professor Sérgio Nogueira

08 outubro, 2008

Dúvidas portuguesianas...

1ª) Qual é o plural de PRETO-VELHO?
Em palavras compostas formadas por um substantivo + um adjetivo, os dois elementos vão para o plural: PRETOS-VELHOS, guardas-civis, cachorros-quentes, bóias-frias, altos-relevos, altas-horas, curtas-metragens…


2ª) Qual é o plural de LUA-DE-MEL?
Em compostos com a preposição “de”, somente o primeiro elemento vai para o plural: LUAS-DE-MEL, pés-de-moleque, copos-de-leite, donas-de-casa, pores-do-sol, pães-de-ló…


3ª) LUAL ou LUAU?
Aquela festa informal que se realiza na praia à noite é LUAU.


4ª) Ficção-científica OU ficção científica?
O correto é escrever FICÇÃO CIENTÍFICA sem hífen, pois não se trata de uma palavra composta. Temos duas palavras independentes: um substantivo (ficção) qualificado por um adjetivo (científica).


5ª) PARA ou PÁRA?
1ª) PARA (sem acento) é preposição: “O avião vai para Brasília”;
2ª) PÁRA (com acento) é a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo PARAR: “O ônibus não pára nesta rua”.

Na frase “Agitação em vôo para (OU pára) o Recife”, teríamos as duas possibilidades. Se o avião ia para o Recife (= destino do vôo) ou se a agitação no vôo parou a cidade.
Com o novo acordo ortográfico, a forma verbal PÁRA perderá o acento agudo. Assim sendo, a preposição e a forma verbal deverão ser grafadas sem acento: PARA.


6ª) Das 22h a 0h OU das 22 a 0h?
A dúvida do leitor é se deve ou não pôr o “h” depois do “22”.
É bom pôr o “h”, mas o problema maior é a falta do acento indicativo da crase. O correto é: das 22h à 0h ou das 22h à meia-noite.


7ª) Andar a pé OU à pé?
O correto é “andar a pé” (sem acento grave).
Embora seja um adjunto adverbial de modo, não há crase pois “pé” é um substantivo masculino.

As locuções adverbiais (lugar, tempo, modo…) recebem o acento indicativo da crase quando formadas por palavras femininas: sentar-se à mesa, bater à porta, entrar à direita, vigiar à distância, sair à noite, errar às vezes, vender à vista, viver à toa, falar às claras, sair às escuras, coser à mão…

Não devemos confundir com aqueles casos em que subentendemos a locução “à moda de”: filé à francesa, bife à milanesa, bacalhau à Gomes de Sá, churrasco à Osvaldo Aranha, versos à Bilac…


8ª) Criança mau-educada OU má-educada?
Nem um nem outro. O correto é MAL-EDUCADA.

1ª) MAU é adjetivo e se opõe a BOM (acompanha substantivos): mau-caráter, mau profissional, mau uso, mau humor;

2ª) MÁ é o feminino de MAU: má educação, má hora e lugar, má notícia, má forma;

3ª) MAL é advérbio e se opõe a BEM (acompanha verbos ou adjetivos): “Ele comportou-se mal”; “Ela fala muito mal”; “As crianças foram mal educadas pelos pais”.

Devemos escrever com hífen quando formar um adjetivo ou um substantivo composto e a palavra seguinte começar por “h” ou por vogais: “Ela é uma criança mal-educada”; “Houve um grande mal-estar”; “Ele estava mal-humorado”; “Era um produto mal-acabado”. Se a palavra seguinte começar por uma letra diferente de “h” e vogais, devemos escrever “tudo junto”: “Ela é uma criança malcriada”; “Ela é uma malcasada”; “É um produto malfeito”.


9º) Preconceito OU pré-conceito?

O correto é preconceito.
Com o prefixo “pré-“, só usamos hífen, quando ele é tônico: pré-colombiano, pré-coma, pré-contrato, pré-cozido, pré-datado, pré-estréia, pré-vestibular…

Quando o prefixo “pre” é átono, escrevemos “junto”: preconceito, preconcebido, precocidade, precogitação, precognição, preconizar, predeterminar…

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira


05 setembro, 2008

Tratando a Língua

1ª) Encarar de frente?

Disse um dos nossos ministros: “É preciso encarar a realidade de frente”.

Nosso leitor tem razão. Eu também nunca vi alguém com “cara nas costas”. É impossível “encarar de costas”. Além de tudo, pode ser perigoso: vá que goste!!!

Nas transmissões esportivas, é muito comum ouvirmos: “o atacante tem de encarar de frente os zagueiros”. É um típico vício de linguagem. Basta encarar os zagueiros.

Se ENCARAR só pode ser de frente, temos aqui uma redundância ou pleonasmo.

2ª) Literalmente?

E o apresentador do programa, entusiasmadíssimo, afirmou: “Flávia Alessandra está literalmente botando fogo em Duas Caras”.

Pelo visto, nossa belíssima atriz é incendiária!!! “Botar fogo literalmente” significa “botar fogo no sentido real da palavra”.

Não é isso que o apresentador queria dizer. Na realidade a expressão “botar fogo” está sendo usada no sentido figurado, no sentido não-literal.

3ª) Onde está o erro na frase: “Há feitiços que, se usados antes de que esteja pronto, podem matá-lo”?

Tudo depende de quem é o sujeito de “esteja pronto”.

Se o sujeito for “ele” (oculto), a frase está correta: “Há feitiços que, se usados antes de que (ele) esteja pronto, podem matá-lo”.

Se o sujeito for “eles (os feitiços)”, a concordância está errada: “Há feitiços que, se usados antes de que (eles) ESTEJAM PRONTOS, podem matá-lo”.

4ª) Pouquíssimas pessoas ou ninguém pensaria OU pensariam nesta solução?

Quando o sujeito composto é ligado pela conjunção alternativa OU com valor de e/ou, a concordância é facultativa.

Alguns autores preferem a concordância do verbo com o núcleo mais próximo: “Pouquíssimas pessoas ou ninguém PENSARIA nesta solução”.

Outros preferem as vírgulas com concordância no plural: “Pouquíssimas pessoas, ou ninguém, PENSARIAM desta solução”.

Quando a conjunção OU apresenta a idéia de “exclusão”, o verbo concorda obrigatoriamente com o núcleo mais próximo: “Ou eu ou diretor DEVERÁ IR à reunião com os clientes”.

5ª) Ele nasceu em OU na Uganda?

Ele nasceu em Uganda.

Não há regra que determine o uso ou não de artigos antes dos topônimos (= nomes de lugares), por isso falamos O Brasil, O Egito, O Equador, O Paraná, O Rio Grande do Sul (com artigo masculino “o”); A Argentina, A Inglaterra, A China, A Bahia, A Paraíba (com artigo feminino “a”); Portugal, Israel, Uganda, Goiás, São Paulo, Brasília (sem artigo algum).

O artigo se consagra pelo uso. Isso explica alguns casos polêmicos (Recife ou O Recife) e algumas mudanças: As Minas Gerais – Minas Gerais, As Alagoas – Alagoas.

Devemos respeitar a forma mais usada: “Ele nasceu em Minas Gerais, em Alagoas, na França, no Tocantins, em Uganda”.

6ª) Lesionado OU lesado?

Tanto faz. Segundo o dicionário Houaiss, LESIONAR é sinônimo de LESAR (= causar lesão física). Assim sendo, quem sofre uma lesão está LESIONADO ou LESADO. É o mesmo que “ferido, contundido”.

O problema é que LESADO apresenta um segundo significado: “prejudicado em seus interesses”: “O empregado foi lesado, por isso requereu seus direitos na justiça”.

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

01 setembro, 2008

Dúvidas Língua Portuguesa

1ª) Alerta OU alertas?
Leitor quer saber se “eles precisam ficar mais alerta OU alertas”.
O correto é “eles precisam ficar mais alerta”.

Nessa frase, ALERTA é advérbio, por isso não se flexiona (gênero e número).
ALERTA vai para o plural quando funciona como adjetivo: “pessoas alertas”, “soldados alertas”.

ALERTA pode ser também um substantivo masculino (= sinal, ordem, aviso para estar vigilante): “Deu vários alertas”.

2ª) Patriota OU patriótico?

Leitor quer saber qual a forma correta: “Precisamos de dois voluntários patrióticos OU patriotas”. O mais adequado é “voluntários patriotas”.

A princípio, patriota e patriótico podem ser dois adjetivos sinônimos. Na prática, a diferença é que usamos PATRIOTA para “quem ama a pátria” e patriótico para tudo aquilo que é “relativo à pátria”: “voluntários patriotas”, “cidadão patriota”; “sentimentos patrióticos”, “ato patriótico”.

3ª) Super-terça OU superterça?
Com ou sem hífen?

Com os prefixos INTER, HIPER e SUPER, só usamos hífen se a palavra seguinte começar por “H” ou “R”: inter-regional, inter-racial, hiper-humano, hiper-resistente, super-herói, super-homem, super-reação, super-requintado…

Assim sendo, devemos escrever SUPERTERÇA sem hífen, “tudo junto” como se diz popularmente. Esta regra não será alterada com a nova reforma ortográfica.

4ª) Infartar OU enfartar?
Tanto faz. Nossos principais dicionários e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras, registram as duas formas.

Para o substantivo, há registro de quatro formas: infarte, infarto, enfarte e enfarto.

5ª) Migrar OU emigrar OU imigrar?
Leitor quer saber qual é a forma correta.
A melhor resposta é “depende do caso”.

EMIGRAR é “sair de um país para viver em outro”: “Todo ano muitos brasileiros emigram para os Estados Unidos”. O prefixo “e(x)-“ significa “movimento para fora”: emergir, exportar, externar, expulsar;

IMIGRAR é “entrar, estabelecer-se em país estrangeiro”: “Muitos japoneses imigraram para São Paulo”. O prefixo “i(n)-“ significa “movimento para dentro”: imergir, importar, internar, ingerir.

MIGRAR é “mudar de lugar, região, país…” Isso significa que podemos usar o verbo MIGRAR como sinônimo de EMIGRAR e IMIGRAR. Quando não houver a idéia de “entrada ou saída”, só a de “movimento, mudança”, o mais adequado é usar o verbo MIGRAR: “Durante o inverno muitas aves migram para o hemisfério sul”.

6ª) Zoar OU divertir?
Leitor quer saber se são palavras sinônimas.
Vejamos o que dizem os dicionários:

a) ZOAR = “fazer grande ruído, emitir ou produzir som forte e confuso”. No Brasil, no uso informal, é usado com o sentido de “fazer troça de, rir de alguém ou fazer-lhe uma brincadeira, por divertimento; caçoar, gozar”.

http://colunas.g1.com.br/portugues/= “entreter(-se) com brincadeiras, distrair(-se); rir ou fazer rir; alegrar(-se)”.

Em razão disso, chegamos à conclusão de que não são palavras sinônimas. Dizer que “os alunos estão se divertindo com os colegas” não significa que estejam “zoando dos colegas”.

7ª) Oxímoro OU oximoro?
Leitor quer saber a correta pronúncia: proparoxítona (com acento agudo no “i”) ou paroxítona (sem acento gráfico).

A pronúncia oficial recomendada pelos dicionários é a de paroxítona e com timbre aberto na sílaba tônica (/mó/). Em razão disso, devemos escrever sem acento gráfico: oximoro.

Oximoro é palavra de origem grega. É uma “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão: obscura claridade, música silenciosa”.

fonte:
Blog do Professor Sérgio Nogueira

18 agosto, 2008

Dúvidas

1ª) Autoimagem OU auto-imagem?

Pela regras atuais, com o prefixo AUTO (= si mesmo), devemos usar hífen quando a palavra seguinte começa por H, R, S ou vogais. Esse é o caso de “imagem”; o correto, portanto, é AUTO-IMAGEM.

Com a nova reforma ortográfica, só haverá hífen quando a palavra seguinte começar por “h” ou “vogal igual” à vogal final do prefixo. Isso significa que deveremos escrever autoimagem (sem hífen).

2ª) Bom dia OU bom-dia?

Depende.
Um bom dia é um dia bom. São duas palavras: bom (adjetivo) + dia (substantivo): “Espero que todos vocês tenham um bom dia”.
A saudação é “BOM-DIA” (com hífen): “Cumprimentou a todos com um bom-dia caloroso”.

3ª) Cocho OU coche?

COCHO é um recipiente de madeira ou de outro material, geralmente usado como bebedouro ou comedouro: “O gado foi trazido, porque a comida já estava no cocho”.

COCHE é um tipo de carruagem fechada, de estilo antigo: “O conselheiro ainda não tinha descido do coche”.

4ª) Viagem OU viajem?

VIAGEM é substantivo: “A nossa viagem a Brasília foi adiada para a semana que vem”; “Tenham todos uma boa viagem”.

VIAJEM é a terceira pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo VIAJAR: “Preciso que vocês viajem a Brasília na próxima semana”.

5ª) Acesas OU acendidas?

Leitor quer saber se “as luzes foram acesas ou acendidas”.
Os verbos que apresentam dois particípios devem seguir a seguinte regra:
a) Com os verbos auxiliares TER e HAVER, devemos usar a forma regular: “Ele TINHA aceitado, entregado, salvado, imprimido…”;
b) Com os verbos auxiliares SER e ESTAR, devemos usar a forma irregular: “Isso não FOI aceito, entregue, salvo, impresso…”

Assim sendo, “As luzes FORAM ACESAS”.

6º) “A corrida será na madrugada de sábado para domingo.”

O leitor tem razão. Não existe “madrugada de sábado para domingo”. O que se quer dizer é que a corrida será na madrugada de domingo. Madrugada é o período do dia que vai da zero hora até o amanhecer.

O problema é a clareza. Como muita gente não sabe que a madrugada de domingo começa na meia-noite do sábado (= 0h de domingo), teme-se que o telespectador não entenda e perca a corrida. Ele talvez imagine que a madrugada de domingo seja após a noite de domingo, que na verdade já é a madrugada da segunda-feira.

7º) “Ela prefere reflexos a comida.”

O leitor não tem razão. Não há crase no exemplo acima.
Ele tem razão quando afirma que a regência do verbo PREFERIR exige a preposição “a” (quem prefere sempre prefere alguma coisa “a” outra).

O problema é que não temos artigo definido antes do substantivo “comida”. Observe que não há artigo antes do substantivo “reflexos”. Isso porque o autor da frase está usando “reflexos” e “comida” no sentido genérico (sem artigo definido).

Observe melhor as diferenças no esquema abaixo:
1. Com artigo definido: “Ela prefere as compras à comida”;
2. Sem artigo definido: “Ela prefere compras a comida”;
3. Com artigo: “O carioca prefere a praia ao trabalho”;
4. Sem artigo: “O carioca prefere praia a trabalho”.

fonte:
Blog do Professor Sérgio Nogueira

06 agosto, 2008

Tratando a língua - Onde está o erro?

1º) “Não deixe ele perder a prova.”

Nossa leitora tem certa razão. Embora seja uma característica da língua coloquial do português no Brasil, o uso do pronome reto (ele), na função de complemento verbal (objeto direto), ainda é inaceitável na língua padrão.

Em nossos concursos, em geral se exige a forma clássica: “Não o deixe perder a prova”. Devemos usar os pronomes oblíquos (me, te, se, o, a, nos…) com verbos causativos (mandar, deixar, fazer) + infinitivos.

O popular e usualíssimo “Deixa eu tentar” deve ser substituído, na língua padrão, por “Deixe-me tentar”.

2º) “Foi um furto com violência.”
Nosso leitor tem razão. A frase é incoerente. Perante a lei, furto e roubo não são sinônimos.
Se houve violência, não foi furto, e sim roubo. Segundo o dicionário Houaiss, furto é “ato de subtração de coisa móvel pertencente a outra pessoa” e roubo é “crime que consiste em subtrair coisa móvel pertencente a outrem por meio de violência ou grave ameaça”.

Assim sendo, o cleptomaníaco tem “mania de furtar”, e não de roubar. E um imóvel (casa, apartamento) não pode ser roubado ou furtado. Quando uma casa é assaltada, objetos podem ser furtados (casa vazia = se os moradores estiverem viajando, por exemplo) ou roubados (se os moradores forem ameaçados pelos ladrões).

Latrocínio é roubo seguido de morte.
No caso de automóveis, é importante saber a diferença entre o seguro só contra roubo e o contra roubo e furto, que é sempre mais caro.

3º) “Renunciar uma coisa tão importante.”

Nosso leitor não tem razão. O verbo RENUNCIAR, no sentido de “não querer, recusar, rejeitar; desistir da posse, abdicar; deixar de crer, renegar” pode ser transitivo direto ou indireto: “Renunciou os prazeres da mesa” e “Renunciou a uma herança”; “Renunciou o trono” e “Renunciou ao poder”; “Renunciou a fé” e “Renunciou a suas velhas convicções”.
Assim sendo, “Renunciar uma coisa tão importante” está tão correto quanto a “Renunciar a uma coisa tão importante”.

4º) “Eu amo minha família. Eles são maravilhosos!”
Nada errado.
Temos aqui uma típica silepse de número. É também conhecida por concordância ideológica: o pronome “eles” substitui a idéia de família (=familiares). Segundo a concordância lógica, deveríamos usar o pronome “ela” para substituir “família”: “Eu amo minha família. Ela é maravilhosa!”.

É o mesmo caso de “A polícia entrou na casa. Ela começou a procurar…” Também seria correto: “Eles (os policiais) começaram a procurar…”.

5º) “Nem os alunos não são tão bem-treinados.”
Nosso leitor tem razão. A construção da frase está estranha, pois o uso do advérbio de negação (não) é dispensável. Bastaria dizer “Nem os alunos são tão bem-treinados”. A frase ficaria bem mais clara.

6º) “Surgem anjos proclamando paz na Terra e a Deus louvor.”
O leitor não entendeu direito a frase por uma razão muito simples: os anjos proclamam a paz na Terra e louvam a Deus (eles não proclamam louvor a Deus).

A frase está incoerente. Ela está sintaticamente mal construída: a paz na Terra e o louvor a Deus seriam dois complementos do verbo proclamar. Isso não faz sentido.

São duas orações independentes (coordenadas aditivas): “Surgem anjos que proclamam a paz na Terra e que louvam a Deus” ou “Surgem anjos proclamando a paz na Terra e louvando a Deus”.

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

25 junho, 2008

A reforma ortográfica vem aí.

Hoje veremos mais algumas regras de acentuação gráfica que não serão afetadas pela reforma ortográfica.

3ª) Oxítonas – Só recebem acento gráfico as terminadas em:
a(s) – sofá, atrás, maracujá, babás, dirá, falarás, encaminhá-la, encontrá-lo-á;
e(s) – café, pontapés, você, buquê, português, obtê-lo, recebê-la-á;
o(s) – jiló, avô, avós, gigolô, compôs, paletó, após, dispô-lo;
em, ens – além, alguém, também, parabéns, vinténs, ele intervém, tu intervéns.

Observações:
Não recebem acento gráfico as oxítonas terminadas em:
i(s) – aqui, saci, Parati, anis, barris, adquiri-lo, impedi-la;
u(s) – bauru, urubu, Nova Iguaçu, Bangu, cajus, expus;
az, ez, oz – capaz, talvez, atroz;
or – condor, impor, compor;
im – ruim, assim, folhetim.

4ª) Monossílabas – Só recebem acento gráfico as palavras tônicas (substantivos, adjetivos, verbos, pronomes, advérbios, numerais) terminadas em:
a(s) – pá, gás, má, más, ele dá, há, tu vás, dá-lo, já, lá;
e(s) – fé, ré, pés, mês, que ele dê, ele vê, vê-los, tu lês, três;
o(s) – pó, dó, nó, nós, cós, vós, pôs, pô-lo.

Observações:
a) Não recebem acento gráfico os monossílabos tônicos terminados em:
i(s) – ti, si, bis, quis;
u(s) – tu, cru, nus, pus;
az, ez, oz – paz, fez, vez, noz, voz;
or – cor, for, dor;
em, ens – bem, sem, trens, ele tem, ele vem, tu tens, tu vens.

b) Não recebem acento gráfico os monossílabos átonos:
artigos definidos: o, a, os, as;
conjunções: e, mas, se, que;
preposições: a, de, por;
contrações: da, das, no, nos;
pronome relativo: que.

c) A palavra QUE recebe acento circunflexo, quando substantivada ou no fim de frase:
As crianças tinham um quê todo especial.
Procurava não sabia o quê.
Ele viajou por quê?

Palavras que só admitem uma pronúncia, mas deixam dúvidas.
(marcamos a sílaba tônica, para reforçar a pronúncia culta)

1. ACÓRDÃO (acordo judicial)
2. ACORDÃO (aumentativo de acordo)
3. AMBROSIA
4. ARGUI (ele = presente do indicativo)
5. ARGUI (eu = pretérito perfeito do indicativo)
6. CÁQUI (cor)
7. CAQUI (fruta)
8. CIRCUITO
9. CLITÓRIS
10. CLÍTORIS (pedra)
11. ESTRATÉGIA
12. FILANTROPO
13. FLUIDO (substantivo)
14. FLUÍDO (particípio do verbo FLUIR)
15. FORTUITO
16. GRATUITO
17. IBERO
18. ÍNTERIM
19. LÁTEX
20. MAQUINARIA
21. MAQUINÁRIO
22. MISTER (necessário)
23. MONÓLITO
24. NOBEL
25. OCEANIA
26. ÔNIX
27. RECORDE
28. RUBRICA

fonte:
Blog do Professor Sérgio Nogueira

19 junho, 2008

Tratando a língua

A reforma ortográfica vem aí

Hoje veremos o que não muda nas regras de acentuação gráfica com a reforma ortográfica.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Posição da sílaba tônica:
Proparoxítona (sílaba tônica na antepenúltima): pálido;
Paroxítona (sílaba tônica na penúltima): palito;
Oxítona (sílaba tônica na última): paletó.

Uso dos acentos gráficos:

- Regras básicas (nada muda com a nova reforma ortográfica):

1ª) Proparoxítonas – TODAS recebem acento gráfico:
máximo, cálice, lâmpada, elétrico, estatística, ínterim, álcool, alcoólico…

Observações:
déficit (forma aportuguesada) ou deficit (forma latina = sem acento gráfico);
habitat; sub judice (formas latinas);
récorde (usual, mas sem registro nos dicionários e no Vocabulário Ortográfico da ABL) ou recorde (forma registrada).

2ª) Paroxítonas – Só recebem acento gráfico as terminadas em:

ã(s) – ímã, órfã, ímãs, órfãs;
ão(s) – órfão, bênção, órgãos, órfãos;
i(s) – táxi, júri, lápis, tênis;
us – vírus, bônus, ânus, Vênus;
um, uns – álbum, álbuns, fórum, fóruns;
ons – íons, prótons, nêutrons;
ps – bíceps, tríceps, fórceps;
R – éter, mártir, açúcar, júnior;
X – tórax, ônix, látex, Fênix;
N – hífen, pólen, próton, elétron;
L – túnel, móvel, nível, amável;
ditongos – secretária, área, cárie, séries, armário, prêmios, arbóreo, água, mágoa, tênue, mútuo, bilíngue, enxáguem, deságuam…

Observações:
Não recebem acento gráfico as paroxítonas terminadas em:
a(s) – bola, fora, rubrica, bodas, caldas;
e(s) – neve, aquele, cortes, dotes;
o(s) – solo, coco, sapato, atos, rolos;
em, ens – nuvem, item, hifens, ordens;
am – falam, estavam, venderam, cantam.

Palavras com dupla pronúncia (com ou sem acento gráfico)
Em negrito, está a forma preferencial:

Vejamos alguns exemplos que já aparecem nas mais recentes edições de nossos principais dicionários e no Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras.

ACROBATA ou ACRÓBATA
AUTÓPSIA ou AUTOPSIA
BIÓPSIA ou BIOPSIA
BIOTIPO ou BIÓTIPO
BOEMIA ou BOÊMIA
CATÉTER ou CATETER
CRISÂNTEMO ou CRISANTEMO
DUPLEX ou DÚPLEX
HIEROGLIFO ou HIERÓGLIFO
NECRÓPSIA ou NECROPSIA
ÔMEGA ou OMEGA
ORTOEPIA ou ORTOÉPIA
PROJÉTIL ou PROJETIL
TRIPLEX ou TRÍPLEX
XÉROX e XEROX

fonte:
Blog do Professor Sérgio Nogueira

29 maio, 2008

Tratando a língua

1ª) Décimo terceiro OU décimo-terceiro?
Salário mínimo OU salário-mínimo?

Décimo terceiro, seja o numeral ordinal seja o substantivo referente ao pagamento que os trabalhadores recebem no fim de ano, deve ser escrito sem hífen: “Chegou em décimo terceiro lugar”; “Ontem todos os empregados receberam o décimo terceiro”.
Salário mínimo é aquele salário que o governo estabelece como o menor possível a ser pago a um trabalhador: “O governo ainda não estabeleceu qual será o valor do salário mínimo a partir de abril”.
Salário-mínimo, com hífen, é aquele que recebe salário mínimo: “Ele é um salário-mínimo”.


2ª) Blitze OU blitzen OU blitzes?

Temos aqui uma palavra de origem alemã. Se for considerada palavra da língua portuguesa, deve seguir nossas regras de formação de plural: palavras terminadas em “z” fazem plural com o acréscimo de “ES”: feliz – felizes, rapaz - rapazes; avestruz – avestruzes; giz – gizes; blitz – blitzes…


3ª) Dia seguinte à OU da final?

Tanto faz. As duas formas são corretas e aceitáveis: “Só deu entrevista no dia seguinte à final OU no dia seguinte da final”.


4ª) “Piscineiro” existe OU não existe?

É lógico que existe. É assim que nos referimos àquele profissional que cuida de piscinas.
O fato de a palavra ainda não aparecer registrada em nossos dicionários não significa que ela não exista. O que faz uma palavra existir é o seu uso. Importante é que a palavra nova seja criada dentro dos nossos padrões gramaticais. O uso do sufixo “-eiro”, para designar “atividade profissional”, é normal: ferreiro, mineiro, tesoureiro, banqueiro, marceneiro, serralheiro, funileiro…
Assim sendo, piscineiro é corretíssimo.


5ª) Passo a passo OU passo-a-passo?
Dia-a-dia OU dia a dia?


Depende.
Sem hífen, são expressões adverbiais: “Seguiu passo a passo o que ensinava o manual”; “Seus problemas crescem dia a dia”. “Passo a passo” significa “de modo vagaroso, lentamente”; “dia a dia” significa “diariamente, dia após dia”.
Com hífen, são formas substantivadas: “Devemos seguir o passo-a-passo indicado pelo manual”; “Eles gostam muito do nosso dia-a-dia”. “Dia-a-dia” é o mesmo que “cotidiano”.


6ª) Protocolado OU protocolizado?

Tanto faz.
O ato de “registrar em protocolo”, originariamente era somente PROTOCOLIZAR: “Os documentos foram devidamente protocolizados”.
PROTOCOLAR originariamente era somente um adjetivo: “São exigências protocolares” (= exigências do protocolo).
Hoje em dia, porém, PROTOCOLAR pode ser usado como verbo, sinônimo de PROTOCOLIZAR. Assim sendo, podemos dizer que “os documentos foram devidamente PROTOCOLIZADOS ou PROTOCOLADOS”.


7ª) Tunisiano OU tunisino?

Depende.
Quem nasce na Tunísia é tunisiano; quem nasce em Túnis ( = capital da Tunísia) é tunisino.
É semelhante aos casos de paulista (estado de São Paulo) e paulistano (cidade de São Paulo), de carioca (cidade do Rio de Janeiro) e fluminense (estado do Rio de Janeiro).

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

21 maio, 2008

Tratando a língua

Eternas dúvidas de concordância

1ª) Houve OU houveram erros?

Se “houveram erros” é porque HOUVE mais erros do que se imaginava.
O verbo HAVER, no sentido de “existir ou acontecer”, é impessoal (sem sujeito), por isso deve ser usado somente no singular: “Há muitas pessoas na reunião”; “Havia mais convidados que o esperado”; “Haverá muitos candidatos no próximo concurso”; “Ainda haveria alguns problemas para serem resolvidos”; “HOUVE erros”…

2ª) Nos nossos planos não estão OU não está o atacante?

A regra básica de concordância verbal manda o verbo concordar com o sujeito. No caso, quem não está nos nossos planos é o atacante. Isso significa que o sujeito (o atacante) está no singular. A concordância correta, portanto, deve ser feita no singular: “Nos nossos planos não ESTÁ o atacante”.
Esse tipo de erro acontece com muita freqüência quando o sujeito está invertido (depois do verbo): “ACONTECERAM (e não “aconteceu”) dois acidentes nesta esquina”; “SURGIRAM (e não “surgiu”), após muitas discussões, duas propostas para resolver o problema”; “SEGUEM ANEXAS (e não “segue anexo”) as notas fiscais”; “ESTÃO FALTANDO (e não “está faltando”) cinco minutos para acabar o jogo”.

3ª) O grande segredo é OU são as jogadas ensaiadas?

O verbo SER pode concordar com o sujeito ou com o predicativo. Assim sendo, as duas possibilidades são corretas e aceitáveis. Há, porém, uma visível preferência pelo plural: “O maior problema do Rio de Janeiro SÃO as chuvas”; “A prioridade do governo SÃO os pobres”; “A última esperança do Vasco SÃO os dois atacantes”; “O grande segredo SÃO as jogadas ensaiadas”.

4ª) O ataque de hoje é OU são…?

É o mesmo caso anterior. Entre o singular e o plural, a concordância preferencial para o verbo SER é no plural: “O ataque de hoje SÃO Leandro Amaral, Dodô e Washington”.

5ª) Não é OU sou eu que vou dizer isso?

A locução enfática “é que”, a princípio, é invariável: “Eu é que disse isso”; “Nós é que resolvemos o caso”; “Eles é que escolheram a data da reunião”.
Quando o verbo SER é colocado antes do pronome pessoal, é correto e aceitável que concorde com o pronome: “FUI eu que disse isso”; “FOMOS nós que resolvemos o caso”; “FORAM eles que escolheram a data da reunião”; “SÃO eles que vão assinar o contrato”; “Não SOU eu que vou dizer isso”.

6ª) Eles já têm idade para fazer o que quiser OU quiserem?

A concordância correta é “Eles já têm idade para fazer o que QUISEREM”.
Alguns autores consideram a concordância facultativa quando o sujeito do infinitivo está oculto e é o mesmo da oração principal: “Eles já têm idade para FAZER ou FAZEREM o que quiserem”. A maioria dos estudiosos, porém, afirma que, nesse caso, a concordância deve ser no singular (uso do infinitivo não flexionado): “Eles já têm idade para FAZER o que quiserem”; “Os advogados foram chamados para ANALISAR o contrato”; “Os diretores estão aqui para ASSINAR o contrato”; “Eles foram convocados para RESOLVER os problemas”.
No caso de QUISER ou QUISEREM, o problema é outro. Embora terminem em “r”, QUISER, FIZER, DISSER, PUSER, FOR, TIVER… não são formas do infinitivo. São do futuro do subjuntivo. Em razão disso, a concordância com o sujeito (oculto ou não) é obrigatória: “ELES já têm idade para fazer o que (eles) QUISEREM”.

14 maio, 2008

Tratando a língua

1ª) A presidente OU a presidenta?

Tanto faz. Nossos dicionários registram as duas formas. A escritora Nélida Piñón, quando se tornou presidente da Academia Brasileira de Letras, sempre foi tratada e se referia a si como “a presidente da ABL”.

Cristina Kirchner, após ser eleita presidente da Argentina, faz questão de ser chamada de “presidenta”, porque, segundo ela, é mais feminino. A verdade é que na língua espanhola, como na língua portuguesa, as duas formas são corretas e aceitáveis.

2ª) Tiróide OU tireóide?

Tanto faz. As duas formas aparecem registradas nas edições mais recentes dos nossos principais dicionários. Não é, portanto, uma questão de certo ou errado. O que pode haver é uma preferência por uma ou por outra forma.

3ª) Em prol OU contra?

Afirmou o representante de uma ONG ao repórter da Tv Globo: “Nosso objetivo é continuar a luta em prol da desigualdade racial.”

Não acredito que ele dirija uma organização que lute a favor da desigualdade racial!!!
É lógico que ele queria dizer que sua luta é contra a desigualdade racial ou em prol da igualdade racial.

4ª) Cair OU não cair?

Confessou o capitão do time: “Nossa briga é para cair para a segunda divisão.”
Se fosse verdade, seria um caso de demissão por justa causa, por traição. O nervosismo após a derrota provocou a confusão. Faltou uma palavrinha muito importante: “Nossa briga é para NÃO cair para a segunda divisão” ou “para nos manter na primeira divisão”.

5ª) Fazer o reconhecimento do gramado?

Leitor questiona o uso da palavra reconhecimento.

O nosso leitor tem razão em parte. Se analisarmos o verbo reconhecer no sentido original, constataremos que RE+conhecer é “conhecer de novo”, logo só poderíamos reconhecer o que já conhecíamos. Assim sendo, se os jogadores estão entrando pela primeira vez naquele campo, não se trata de reconhecimento, e sim “conhecimento”.

O problema é que “reconhecimento do gramado” faz parte do jargão esportivo, do “futebolês”. É semelhante ao caso de “correr atrás do prejuízo”. Pode ser um absurdo, mas é perfeitamente compreensível por quem é do meio futebolístico.

Esse tipo de problema não deve ser tratado como um caso de certo ou errado. O que podemos discutir é se a expressão é adequada ou não em determinados contextos.

6ª) Repetir de novo?

Leitor critica um dos nossos comentaristas de arbitragens que teria dito: “O árbitro, acertadamente, mandou o atacante repetir de novo a cobrança do pênalti.”

Se fosse para o atacante cobrar o pênalti pela segunda vez, nosso leitor teria razão: repetir de novo seria uma redundância.

O problema é que o pênalti foi cobrado três vezes. Quando o árbitro mandou o atacante cobrar pela terceira vez, podemos dizer que o árbitro mandou repetir de novo a cobrança do pênalti.

Inaceitável seria dizer que “O Goiás repetiu três vezes a cobrança do pênalti”. Ou “bateu o pênalti três vezes” ou “repetiu duas vezes a cobrança do pênalti”.

fonte: Blog do
Professor Sérgio Nogueira

08 maio, 2008

Tratando a língua

SANÇÃO – Cuidado. Pode ser “aprovação” ou “punição”: “Esperamos a sanção do presidente” (= aprovação); “Teme-se que haja sanções contra o Iraque” (= punições).

SANCIONAR – Deve ser usado somente com o sentido de “aprovar, promulgar”: “O governo deve sancionar a lei até o fim desta semana.”

SANEAR – Para “finanças”, devemos usar sanear, e não “sanar“: “O empréstimo visa a sanear nossas finanças.” No sentido de “curar, tornar são”, podemos usar sanar ou sanear.

SEQÜESTRO – É a apreensão de bens ou pessoas, com fins políticos ou para extorquir dinheiro. Pode haver seqüestro sem extorsão.
Um exemplo questionável: “Isso ocorreu logo depois do anúncio do seqüestro dos cruzados novos, na época do Plano Collor.” (= Na verdade, os cruzados novos foram bloqueados.)
O seqüestro de bens ocorre quando eles ficam indisponíveis. No caso de pessoas, seqüestro é o fato de se tirar a sua liberdade; a exigência de dinheiro já é outro crime: extorsão. Seqüestro não é sinônimo de rapto.

SUPLEMENTAR – É “extra, adicional”. Não é sinônimo de complementar. Uma “verba complementar” é a segunda parte ou a parte que faltava; uma “verba suplementar” é uma verba extra, adicional, não prevista.

SURTO – Atinge um número limitado de pessoas numa área restrita.

TODO – Significa “qualquer”: “Ele é capaz de fazer todo trabalho (= qualquer trabalho)”; Isso acontece todo dia (= qualquer dia, todos os dias). Não devemos confundir com todo o, que significa “inteiro”: “Ele fez todo o trabalho (= o trabalho inteiro)”; “Trabalhou todo o dia (= o dia inteiro)”; “E a previsão para este domingo é de sol em todo o estado (= para o estado inteiro)”; “Haverá vacinação em todo o país (= no país inteiro)”.

TRANSPLANTADO – É o órgão, não a pessoa: “O coração transplantado…” Devemos evitar: “A menina transplantada passa bem.”

TRIMENSAL/TRIMESTRAL – Trimensal é “três vezes por mês”; trimestral é “de três em três meses”.

Blog do Professor
Sérgio Nogueira

30 abril, 2008

Tratando a língua

QUESTIONAR – É “pôr em dúvida”: “O deputado questionou a legalidade do contrato.” Não é sinônimo de perguntar: “O deputado perguntou (e não questionou) se o banqueiro iria depor hoje à tarde ou somente amanhã”.

RAPTO – Não é sinônimo de seqüestro. Rapto é só de mulheres e com fins sexuais: “É hábito, nesta tribo, a mulher ser raptada pelo futuro marido”. Exemplo inaceitável: “Os dois confessaram que, na época do rapto, compraram três crianças nas mãos de Matilde” (= Embora seja freqüente, devemos evitar o uso de RAPTO para crianças).

REFUTAR – Significa “contestar, apresentar argumentos contrários”. “O mestre refutou (= contestou) as minhas idéias.” Não é sinônimo de rejeitar: “O diretor rejeitou (= não aceitou) a minha proposta”.

REGULARIZAR – O que se regulariza é a situação e não a pessoa: “A situação do atleta já foi regularizada na federação.” Devemos evitar construções do tipo: “O atleta ainda não foi regularizado na federação”; “Os camelôs não estão regularizados”.

RENDER – Palavra de carga positiva. Não devemos usar em situações negativas: “As fotos nuas lhe renderam um processo.” O mais adequado é “…custaram um processo”.

REPERCUTIR – O que repercute é a coisa: “A derrota repercutiu muito mais do que se esperava”. Devemos evitar construções em que “alguém repercute alguma coisa”: “Vamos repercutir a derrota no vestiário do Vasco.” É melhor: “Vamos ver a repercussão da derrota no vestiário do Vasco”.

RESTO – Palavra de carga negativa. Devemos evitar:
“O primeiro pode entrar, o resto deve permanecer sentado”. É melhor: “…os demais devem permanecer…”.
“São Paulo assiste a Palmeiras e Grêmio, o resto fica com o jogo Flamengo e Bahia”. É melhor: ”A rede Globo transmitirá Flamengo e Bahia; para São Paulo, Palmeiras e Grêmio”.

ROUBO – É diferente de furto. Se houver qualquer tipo de “violência”, é roubo. O cleptomaníaco tem “mania de furtar”. Se houver roubo e assassinato, é latrocínio.

SALÁRIO/VENCIMENTO – Empregado de empresa privada e funcionário público contratado com base na CLT recebem salário; funcionários públicos em geral recebem vencimento; soldo é a parte fixa dos vencimentos dos militares. Parlamentares recebem subsídio.

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

24 abril, 2008

Tratando a língua - Falsos sinônimos

OBSERVAÇÃO/OBSERVÂNCIA – Observação é “o ato de observar, perceber pelos sentidos”, é “o reparo, a advertência”: “O diretor fez duas observações importantes.” Observância é “o cumprimento, a execução fiel”: “Para evitar acidentes, é importante que haja a observância das normas.”

OPORTUNISTA – Cuidado. Palavra perigosa. Apresenta carga negativa: “Romário é um atleta muito oportunista.” Se ele aproveita bem as oportunidades para fazer seus gols, o melhor é dizer que “ele tem senso de oportunidade”.

ÓPTICO/ÓTICO – Óptico refere-se à visão: “Apresentava problemas no músculo óptico.” Ótico, a princípio, refere-se ao ouvido: “A labirintite afetou-lhe o nervo ótico.” Hoje em dia, porém, aceita-se o uso de ótica em referência à visão: “Comprou seus óculos numa ótica popular”; “Na sua ótica, o contrato não deveria ser assinado”; “Não passou de uma ilusão de ótica”.

PAULISTA – Refere-se ao estado de São Paulo.

PAULISTANO – Refere-se à cidade de São Paulo.

PELADA – Cuidado. Apresenta carga pejorativa. É melhor dizer que “ela estava nua” (= se houver sensualidade) ou despida (= se não houver carga de sensualidade).

PENALIZADO – É melhor só usar no sentido de “ter pena, dó, compaixão”: “Sentia-se penalizado diante de tanta miséria.” Embora já esteja registrado no novo Aurélio e no dicionário Houaiss, é bom evitar o uso de penalizado no sentido de “punido”: “O zagueiro foi punido (e não penalizado) com cartão vermelho.”

PONTO PERCENTUAL – Não devemos confundir com percentagem. Se a inflação subiu de 2% para 4%, ela subiu 100% ou dois pontos percentuais.

PORTENHO – Vem de porto. Refere-se a quem nasce ou vive em Buenos Aires. Não é sinônimo de argentino.

POSAR/POUSAR – Posar é “fazer pose”: “Ela posou para duas revistas masculinas.” Pousar é “descer, aterrissar, descansar”: “O avião pousou com vinte minutos de atraso”; “Os viajantes pousaram neste albergue”.

POSSUIR – Devemos evitar o uso de possuir como simples sinônimo de ter. Rigorosamente possuir equivale a “ter a posse de, ter a propriedade de, poder dispor de”: “Ele possui muitos bens no estrangeiro”. Em geral, é mais seguro e correto usar o verbo ter: “Ela tem duas filhas”; “Ele tem direito adquirido”; “Eles têm duas liminares”…

PROCRASTINAR – Cuidado. Na língua do dia-a-dia, apresenta carga negativa: “enrolar”. É preferível adiar ou prorrogar.

PROTOCOLAR/PROTOCOLIZAR – Segundo a tradição, protocolar é adjetivo, é “o que segue o protocolo”: “São ações protocolares.” Hoje em dia, porém, aceita-se como verbo. Seria sinônimo de protocolizar: “Os documentos foram protocolizados ou protocolados.”

fonte: Blog do Professor Sérgio Nogueira

11 abril, 2008

Tratando a língua - Falsos sinônimos (continuação)

FALSOS SINÔNIMOS

BENGALÊS/BENGALI
– Bengalês é relativo a Bangladesh e Bengala (região entre a Índia e Bangladesh). Bengali é o idioma.

HINDU/INDIANO – Hindu é quem segue o hinduísmo (= religião); indiano é quem nasce na Índia ou relativo à Índia. Híndi ou Índi é o idioma mais falado na Índia.

ILEGAL – É a situação, e não a pessoa. Não existem “imigrantes ilegais”. Prefira: “Os imigrantes estão em situação ilegal.” Também não existem “filhos ilegais”.

IMPLANTAR – É “dar início”. “O sistema só foi implantado (= começou) no ano passado.” Não é sinônimo de implementar.

IMPLEMENTAR – É “pôr em prática, desenvolver, fazer funcionar”: “Todos os procedimentos já estão devidamente escritos e aprovados, mas nunca foram implementados.”

INEFICIENTE – É o “que não é eficiente”: “Foi um fracasso. Os apelos foram ineficientes.”

INÚMEROS – Significa “incontáveis”. Para grandes quantidades, porém “contáveis”, devemos usar muitos, vários ou numerosos: “Pelé fez muitos (e não inúmeros) gols com a camisa do Santos.”

INVASÃO – Só se houver violência. Se for pacífica, é melhor usar ocupação.

INSOLVÊNCIA – Deve ser usado para pessoas físicas. Só devemos usar falência para empresas.

ISRAELENSE/ISRAELITA/JUDEU – Israelense é “quem nasce ou habita em Israel” ou “relativo a Israel”: “Convidou um professor israelense para o debate”; “Houve novos ataques israelenses”. Israelita é “relativo à religião judaica ou ao povo de Israel, no sentido bíblico”: “Todos devem respeitar as tradições israelitas”; “Invadiram templos israelitas”. Judeu é “referente à Judéia”, é “aquele que segue a religião ou tradição judaica”. Não depende do seu lugar de nascimento.

JORNADA – Corresponde ao trabalho “diário”. Meia jornada é trabalhar “metade do dia”. É bom evitar “jornada semanal ou mensal“.

JUDEU – Não é necessariamente um israelense. Judeu se refere à etnia; israelense é quem nasce em Israel; israelita é o seguidor da religião e da cultura de Israel.

JUDIAR – Por sua referência ao sofrimento dos judeus, é melhor substituir por maltratar.

JUSTIFICAR – É “tornar justo, inocentar”. Não é sinônimo de explicar: “Ele explicou (e não justificou) que só aceitou o dinheiro do tráfico de drogas porque era para ajudar as crianças carentes”; “Isso explica, mas não justifica”.

LIDERANÇA – É “a qualidade do líder, o ato de liderar”: “Foi o escolhido pela sua capacidade de liderança.” É bom evitar o uso de liderança para substituir líderes: “Teve que enfrentar os líderes (e não as lideranças) dos partidos de oposição”. O uso de liderança em substituição a líder é uma forma de metonímia.

LIMITE – Use para municípios: “Aqui é onde o Rio de Janeiro faz limite com Duque de Caxias.”

LINCHAMENTO – Implica a morte da vítima. Se sobreviver, houve espancamento ou tentativa de linchamento.

LISTA/LISTADO/LISTAR/LISTAGEM – Lista pode ser uma relação ou sinônimo de listra: “Seu nome não estava na lista dos aprovados”; “Estava com uma camisa listada (ou listrada)”. Listar já pode ser usado como sinônimo de “enumerar, relacionar”. Listagem é “lista feita em computador”.

LITERAL – Significa “com as mesmas letras”. Uma transcrição literal é uma transcrição fiel ao texto original. Quando dizemos que “alguém está literalmente louco”, significa que ele está verdadeiramente louco, no sentido real da palavra. Portanto, são inaceitáveis frases do tipo: “Ele estava literalmente impedido” (= não devemos usar literalmente no sentido de “totalmente, inteiramente, completamente”); “Não foi uma bicicleta literalmente” (= não foi propriamente uma bicicleta).

fonte: Blog do Professor
Sérgio Nogueira

02 abril, 2008

Tratando a língua - Falsos sinônimos

EM PRINCÍPIO – Significa “em tese, teoricamente, por princípios”: “Em princípio (= por princípios religiosos), ele é contra o aborto”. Com o sentido de “inicialmente, num primeiro momento”, é melhor usar A PRINCÍPIO.

EM VEZ DE – Significa “em lugar de”. Deve ser usado para qualquer tipo de troca, de substituição: “Foi à praia em vez de ir à escola”; “Apertou o botão azul em vez do vermelho”; “Ronaldinho preferiu correr com a bola em vez de chutar”; “Imagine só tentar falar ao telefone e, em vez de uma pessoa do outro lado da linha, ouvir o sermão de uma rádio evangélica”.

EPIDEMIA/ENDEMIA/EPIZOOTIA – Epidemia - doença infecciosa de caráter transitório que atinge um grande número de pessoas numa área extensa. Endemia - doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em determinada população ou região. Epidemia e endemia só devem ser usadas para seres humanos. Para animais, usamos epizootia.

ESCASSEZ – Ocorre quando “há pouco”: “As prateleiras dos supermercados quase vazias comprovam a escassez do produto.” Quando “não há”, ocorre falta: “A falta do produto é comprovada pelas prateleiras totalmente vazias”.

EVENTUAL – Significa “esporádico, ocasional, o que ocorre de vez em quando”. Uma “derrota eventual” é aquela que acontece de vez em quando. Não é sinônimo de possível nem de provável: “Oposição teme uma possível (e não eventual) derrota nas próximas eleições”; “O Barcelona é o provável (e não eventual) campeão espanhol desta temporada”.

EXPLICAR – É “esclarecer”. Não é sinônimo de justificar.

EXTORQUIR – É “arrancar, torcer para fora”. Só se pode extorquir “alguma coisa” de alguém. Uma pessoa não pode ser extorquida. A frase “A família foi extorquida pelos seqüestradores” é inaceitável. O certo é: “Os seqüestradores extorquiram dois milhões de reais da família… (= na voz ativa)” ou “Dois milhões de reais foram extorquidos pelos seqüestradores… (= na voz passiva). Só a “coisa” pode ser extorquida.

EXTRADITAR – Extradição é um acordo que há entre alguns países. Para extraditar, é preciso que haja a solicitação de outro país: “O Brasil solicitou a extradição de Cacciola.” Se não houver solicitação, pode ser expulsão: “O governo brasileiro queria expulsar o jornalista americano.” Expulsão é uma decisão unilateral.

FALÊNCIA – É mais adequado só usar para empresas. Para pessoas físicas, é melhor usar insolvência.

FAMILIAR – É preferível utilizar a palavra parente, por ser mais usual.

FATAL – É “que mata”. Portanto, não há “vítima fatal”. O acidente é que foi fatal: “Um acidente fatal com duas vítimas.”

FRONTEIRA – Usamos para países: “Na fronteira do Brasil com o Paraguai.”

GARANTIR – Só pode ser usado para quem tem o poder: “Estou vivendo o meu melhor momento”, garantiu o atacante. Não usar para quem não tem o poder de “garantir”: “Sérgio Cabral disse ou afirmou (e não garantiu) que Benedita será a candidata do PT (= não depende dele)”; “O técnico afirmou (e não garantiu) que o atacante estará totalmente recuperado até domingo”. É desnecessário “garantir o óbvio”: “O Brasil tem dimensões continentais, garantiu o presidente americano.”

GEMINADAS – Casas são geminadas, e não “germinadas”. Geminadas deriva de “gêmeo”, e germinada vem de “germe”.

GOLEADA – É o ato de golear, ou seja, vencer por uma grande diferença de gols. Segundo o senso comum, é necessário que o time vencedor tenha feito no mínimo quatro gols: “4 a 1, 4 a 0, 5 a 2…”. Não deve ser usada para designar o jogo em que houve muitos gols: “5 a 4, 7 a 5, 6 a 6”.

GREVE – Quem faz greve é empregado; patrão faz locaute.

Blog do Professor Sérgio Nogueira